Entre quitandeiras, irmandades e projetos de urbanização
Resistências negras no centro da cidade de São Paulo – séculos XIX e XX.
Resumo
Este artigo analisa as formas de resistência negra no centro da cidade de São Paulo entre os séculos XIX e XX, a partir das experiências de mulheres comerciantes negras, das irmandades religiosas e dos conflitos gerados pelos projetos de urbanização. Tomando como eixo a circulação de quitandeiras, libertas e escravizadas, assim como a ativa presença da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos no cotidiano da cidade, evidenciamos as disputas pelo espaço urbano frente às tentativas do poder público de controlar, segregar e apagar da existência as camadas indesejáveis da população que habitava a região central. Com base em documentos produzidos pelos poderes públicos, imprensa, iconografia, entre outros, procuramos demonstrar como os projetos de modernização do centro da cidade de São Paulo estiveram, desde sempre, associados à repressão ao comércio ambulante, dominado por mulheres negras e à paulatina expulsão da população pobre da região. A desapropriação dos bens da Irmandade do Rosário e a posterior demolição de sua igreja, representam um marco simbólico da tentativa de apagamento das territorialidades negras na urbe paulistana. No entanto, ao destacar trajetórias como as das quitandeiras da Rua das Casinhas e a atuação dos irmãos pretos do Rosário, buscamos evidenciar as estratégias mobilizadas por homens e mulheres negros para reivindicar direitos, visibilidade e permanência na cidade.
