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Chamada de Artigos – Dossiê temático e Artigos Livres

Revista do Museu Lasar Segall informa que está aberto o período para envio de trabalhos para a Edição n. 2 – Arte Pública para muitos Públicos, que será publicada no final de 2026, aceitando trabalhos nas seguintes modalidades:  

  1. Artigos de Tema Livre, nas áreas de interesse da publicação
  2. Artigos ligados ao Tema da Edição, cuja descrição completa pode ser vista abaixo.
  3. Ensaios visuais.

O prazo para submissão dos textos é até o dia 31 de julho de 2026.  

Recomendamos aos autores que leiam atentamente as normas de submissão de nosso periódico antes de fazer sua submissão (textos que não se enquadrarem nas normas serão automaticamente devolvidos). 

Os editores e demais responsáveis pela Revista ficam à disposição para esclarecimentos, bastando que os interessados escrevam para os endereços eletrônicos disponíveis no portal da Revista do Museu Lasar Segall.

 

 

REVISTA DO MUSEU LASAR SEGALL DOSSIÊ – NÚMERO 2/2026

ARTE PÚBLICA PARA MUITOS PÚBLICOS: DINÂMICAS DE PRODUÇÃO E APROPRIAÇÃO DA ARTE PÚBLICA NA AMÉRICA LATINA

 

Editores convidados:

 Rafael Dias Scarelli

Professor de História da Arte e da Imagem da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV-UFG). Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo.

Luis Gómez Mata

Professor da Universidad del Claustro de Sor Juana e Curador do Museo Nacional de San Carlos. Doutorando e Mestre em História da Arte pelo Instituto de Investigaciones Estéticas da Universidad Nacional Autónoma de México (IEE-UNAM).

  

A partir da segunda metade do século XIX, e de forma cada vez mais intensa até as primeiras décadas do século seguinte, o espaço urbano das grandes cidades latino-americanas tornou-se o cenário para a inscrição de numerosos monumentos públicos, de soberbas estátuas equestres a hermas, obeliscos e colunas mais modestas. Por um lado, não apenas por meio da escultura pública, mas também da toponímia urbana, buscava-se fazer justiça à memória daqueles então reconhecidos como heróis nacionais – figuras geralmente ligadas à luta pela emancipação do jugo colonial e à organização do novo Estado nacional –, transformando o tecido urbano em uma “lição pública de história”, para usar as palavras de Rodrigo Gutiérrez Viñuales,1 ou em um “livro didático de religião cívica”, conforme Mauricio Tenorio-Trillo.2 Por outro lado, em meio à euforia provocada pelo progresso econômico advindo da plena inserção nacional no mercado mundial, esse mobiliário de pedra e bronze também servia para emular o modelo europeu de urbe cosmopolita, visto ao “espelho de Paris”, como sintetizou José Luis Romero.3 A arte pública latino-americana surgiu, dessa maneira, atrelada à escala monumental e aos materiais nobres, assim como ao esforço autocelebrativo das elites políticas e sociais em afirmar o bem-sucedido caminho rumo à modernidade percorrido pelas jovens nações americanas até então, sob a sua guia.

Muitas décadas depois, enquanto parte dessa estatuária urbana ainda resiste de pé, em meio à justa iconoclastia antirracista dos movimentos sociais, ao descaso dos poderes públicos com o patrimônio urbano e à indiferença da maior parte dos transeuntes contemporâneos, o espaço público das cidades latino-americanas passou a acolher uma variedade de novas formas de expressão artística e cultural. Frequentemente com viés dissidente e questionador, a arte pública latino-americana do tempo presente abrange desde iniciativas temporárias e efêmeras a intervenções duradouras, promovidas, com ou sem a chancela dos órgãos de gestão urbana, por artistas individuais ou coletivos e por grupos de militância política e social. Talvez o único traço definidor compartilhado por esse heterogêneo conjunto de obras atreladas à arte pública seja o fato de que, ao coexistirem no espaço público e diante de “muitos públicos”, como expressa o título do nosso Dossiê, estão sujeitas às releituras e ressignificações promovidas por seu contexto urbano e pela interação potencialmente destrutiva com os citadinos. “Sem vitrines nem guardiães que os protejam”, como acontece nos museus, indica Nestor Garcia Canclini, onde “os objetos históricos são subtraídos à história e seu sentido intrínseco é congelado em uma eternidade em que nunca mais acontecerá nada4, os monumentos e demais obras de arte presentes no espaço público estão mergulhados nas contradições da vida urbana cotidiana, disputando espaço com o brilho noturno da luz néon e com os anúncios publicitários.

A proposta do dossiê Arte pública para muitos públicos: dinâmicas de produção e apropriação da arte pública na América Latina, é acolher textos que explorem alguma entre as muitas possibilidades de linguagens, formatos, materiais e suportes por meio dos quais se manifesta a arte pública latino-americana de hoje, desde os monumentos escultóricos à arte mural e ao grafite. Esperamos que os trabalhos valorizem a dimensão “pública” da obra ou do conjunto artístico analisado, explorando os possíveis sentidos e conflitos que essa dimensão engendrou, seja em seu contexto de idealização ou implantação, seja ao longo da trajetória dessas obras após sua entrada no espaço público. Estar no espaço público e falar para muitos públicos, o que isso pode significar e que tensões pode gerar, no presente ou no passado? São essas questões que servirão de mote para este Dossiê. Pensamos que não poderia haver proposta mais adequada para a segunda edição da Revista do Museu Lasar Segall, uma publicação de acesso aberto vinculada a uma instituição cultural de caráter público, que, esperamos, também atinja e dialogue com muitos públicos leitores.

1 Rodrigo Gutiérrez Viñuales. Monumento conmemorativo y espacio público en Iberoamérica. Madrid: Ediciones Cátedra, 2004, p. 9 [edição digital].

2 Mauricio Tenorio Trillo. I Speak of the City. Mexico City at the Turn of the Twentieth Century. Chicago: University of Chicago Press, 2013.

3 José Luis Romero. Breve historia de la Argentina. 5ª ed. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2013 [1ª ed. 1965], p. 109.

4 Nestor García Canclini. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: Edusp, 2015 [1989], 301.

 

  • Chamada para artigos, textos, ensaios visuais

    2026-03-23

    Chamada de Artigos – Dossiê temático e Artigos Livres

    A Revista do Museu Lasar Segall informa que está aberto o período para envio de trabalhos para a Edição n. 2 – Arte Pública para muitos Públicos, que será publicada no final de 2026, aceitando trabalhos nas seguintes modalidades:

    1. Artigos de Tema Livre, nas áreas de interesse da publicação;
    2. Artigos ligados ao Tema da Edição, 
    3. Ensaios visuais.

    O prazo para submissão dos textos é até o dia 30 de julho de 2026.


    Recomendamos aos autores que leiam atentamente as normas de submissão de nosso periódico antes de fazer sua submissão (textos que não se enquadrarem nas normas serão automaticamente devolvidos).
    Os editores e demais responsáveis pela Revista ficam à disposição para esclarecimentos, bastando que os interessados escrevam para os endereços eletrônicos disponíveis no portal da Revista do Museu Lasar Segall.

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