Poética da fragmentação
Imagem e palavra em Jorge de Lima
Resumo
Este artigo investiga as colagens produzidas por Jorge de Lima (1893-1953) entre as décadas de 1930 e 1940, aspecto menos conhecido de sua obra. Argumenta-se que o emprego da técnica de montagem apresenta caráter deliberado, articulando-se intrinsecamente com a poética do fragmento e com as representações de estilhaçamento, mutilação e ruína presentes em sua lírica, o que estabelece continuidade estética entre colagem e expressão poética. Tanto na literatura quanto nas colagens, Lima organiza a expressão em fragmentos que se recusam à funcionalidade utilitária da linguagem, abrindo-se a sentidos ocultos, associações e possibilidades imprevistas. Tal opção poética é também ética: a produção de Jorge de Lima buscava romper com o regime de sentidos unívocos, algo que sinaliza um combate à mentalidade fascista em ascensão no período de produção das colagens.
