Na mira da Polícia Política
O Museu Lasar Segall e o Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS)
Resumo
Ao longo do século XX, a Polícia Política investigou pessoas ligadas ao Museu Lasar Segall, produzindo uma quantidade importante de documentos abrigados atualmente no Fundo DEOPS do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Desde os anos 1930 – quando o próprio Lasar Segall foi monitorado – até as décadas de 1970 e 1980 – quando seu primogênito Mauricio Segall foi perseguido e preso por suas atividades políticas – a trajetória do Museu foi impactada pelas ações dos órgãos policiais responsáveis pela repressão à “subversão política”. Neste texto são apresentados e discutidos documentos gerados pelas atividades da polícia política, em especial nos períodos onde governavam regimes de exceção. Concentrando-se em três eixos principais – Lasar Segall, Mauricio Segall e o próprio Museu Lasar Segall – discute-se a formação da sensibilidade antimodernista e conservadora e as associações entre arte moderna e subversão política, desordem social, contaminação étnica, nacionalismo, xenofobia e antissemitismo. Interessa também observar a cronologia, os fundamentos e os procedimentos do DEOPS e de outros órgãos de repressão, durante o Estado Novo e a Ditadura Militar de 1964-85.
