Quando o moderno bate à porta
Habitação e urbanismo em São Paulo, 1920–1950
Abstract
A Vila Barros é o maior cortiço conhecido pela historiografia da cidade de São Paulo. Foi construída no início da década de 1920, sobre os terrenos originados pelo loteamento do vale do antigo córrego do Bexiga. Seus moradores, sujeitos ao preço sempre crescente dos alugueis, compunham a parcela mais empobrecida da população urbana. Localizada no centro da cidade, em lotes contíguos ao Parque Anhangabaú, a Vila Barros era encarada pelas autoridades municipais como uma ‘chaga aberta’, uma ferida no tecido urbano remodelado e aburguesado. Ao longo das décadas de 1920, 30 e 40, a Vila foi associada às imagens da ‘promiscuidade’ e da ‘desordem’, por meio de um discurso que circunscrevia os significados da precariedade material ao estigma moral. Na década de 1950, quando a cidade passava pela maior remodelação urbana e viária de sua história, a Vila Barros foi demolida pelo poder público. Em seu lugar, foi construído o conjunto residencial Japurá, um edifício modernista de dezesseis andares sobre pilotis.
